************************************************************************************************************************************************************************************

"Somos formados e moldados pelos nossos pensamentos. Aqueles cujas mentes são construídas sobre pensamentos altruístas espalham alegria através de suas palavras e ações. A alegria os segue como uma sombra e nunca os abandona.” (Buda)

************************************************************************************************************************************************************************************


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Galleta Meadows - Esculturas no deserto

Em Borrego Springs, uma região desértica situada no sul da Califórnia, as temperaturas são elevadas durante a maior parte do ano. A sua população pouco ultrapassa os dois milhares de habitantes e muitos deles, devido à severidade do clima, são residentes sazonais. O que pode então existir de tão interessante num local inóspito como este, capaz de atrair turistas de toda a parte? Animais - elefantes, camelos, tartarugas, cavalos selvagens, cobras, mamutes, tigres de dentes de sabre e, bem entendido, dinossauros. Todos eles têm uma característica comum: são feitos de ferro forjado, martelado e soldado pelas mãos do mexicano Ricardo Arroyo Breceda.


Tudo partiu da iniciativa de Dennis Avery, um americano que em meados dos anos 90 resolveu comprar um vasto território em Borrego Springs chamado Galleta Meadows "por um preço irrecusável", segundo ele mesmo conta, como forma de investir o seu dinheiro. Na altura ficou sem saber o que fazer com essa porção de terra. No entanto não lhe colocou vedações de arame farpado nem tabuletas a dizer "Propriedade privada". Alguns anos mais tarde construiu aí uma residência de Inverno. Posteriormente criou a fundação Galleta Meadows Estate e construiu algumas infraestruturas, como um clube de golfe, um country club e um resort turístico, além de apoiar diversas obras e iniciativas locais. Faltava-lhe atrair gente.


Há pouco tempo descobriu que a região da qual era proprietário possuía um patrimônio arqueológico importante, constituído por vestígios fósseis da era Pliocênica, Plistocênica e Miocênica. Os estudos efetuados deram origem a um livro publicado em 2006. Foi por volta dessa altura que Avery se cruzou ocasionalmente com Ricardo Breceda, ao descobrir em frente à casa deste um enorme T-Rex de ferro. A partir daí nasceu o projeto de povoar o Galleta Meadows com esculturas que evocassem os habitantes do vale, em especial os mais antigos, uma espécie de Parque Jurássico recriado em ferro: o Gomphotherium.


Breceda trabalha lentamente. Neste momento existem apenas algumas dezenas mas o número não pára de crescer. As esculturas são enormes, as maiores atingem os 4 metros de altura. São feitas de chapas de ferro moldadas com martelos, cortadas com maçarico, todas soldadas. Com o tempo ganham uma patine fantástica que lhes é dada pelos tons da ferrugem e as agarra ao ambiente local. Este é o tipo de projeto algo megalômano e improvável, que só nos EUA poderia surgir. Coisas de americanos, diremos. Ainda bem.


domingo, 23 de janeiro de 2011

[Mais] feliz

Por Karina Lima

Perguntem a 10 pessoas o que elas querem da vida, e preparem-se para uma resposta clichê e unânime: todo mundo quer ser feliz. Sem demagogias ou explicações, a tal felicidade é conquista mais cobiçada do que par de sapatos Loubotin, mais desejada do que ala VIP no show do U2. Curiosamente, essa gente toda podia querer uma infinidade de coisas, trabalha duro para dominar o mundo, e no final só deseja aquilo que os contos de fadas prometiam: o ‘felizes para sempre’.

Em uma das minhas 4.752 reflexões existenciais dessa semana, mirando o trânsito da Marginal Tietê brincar de estátua, eu retrocedia a um tempo que não vivi: nos modelos anteriores de sociedade, a grotesca força das tradições e da religião criava grandes mordaças que impediam a manifestação mais pura e marota da felicidade. A repressão era tanta, que todo ser só tinha forças pra se angustiar e sofrer. 'Fase mais cretina', pensei alto.

Hoje é absoluta-e-totalmente diferente. Ou não, convenhamos.

A nossa modernidade trouxe iPhones, reality shows, redes sociais, micaretas, tendências fashion, modas, tribos e outros recursos incríveis para preencher um amplo galpão: o nosso bom e velho vazio existencial da pós-modernidade. A pressão é tanta, a necessidade de parecer um ser bem sucedido, resolvido e relacionado é tão aterradora, que com toda essa globalização e avanço costumo dizer que retrocedemos a largos passos. Conheço gente de todo tipo de pedigree social que só leva o tempo em se consolar e se deprimir. Mas esperem: a liberdade é tanta, a neura com a saúde é tão surreal... que todo mundo deveria ficar super feliz com essa perfeição toda, certo? Errado. Conhecemos o reino da felicidade paradoxal: ter tudo nas mãos mas, lá no fundo, não ter coisa alguma. Para uns, tristes são os tempos modernos.

Conheço bem dois novos vilões desse milênio: a piscina e o SPA – todo mundo cultuando o próprio corpo, olhando só pro umbigo e aplicando botox até nos cotovelos. Vejo gente por aí que tem a cara igualzinha ao solado de um tamanco de madeira: aquela coisa lisa, artificial, bizarra. A vida é tão dura, o peso dela é tamanho, estamos tão esmagados pela dor do atraso de quem está sempre em beta, a rotina é tão maçante, que é normal precisarmos de auto-recompensas: compramos desenfreadamente como se o amanhã não existisse, consumimos chocolates como se calças jeans fossem super elásticas, malhamos como se tivéssemos que queimar as calorias presentes em um boi inteiro e sedentário de trocentos quilos. Fazemos yogapra calibrar o espírito, vamos à terapia e somos ultra conectados. Aham. Tudo isso ao mesmo tempo e agora, sem necessária ordem, razão ou lógica.

Temos pressa. De quê, eu sinceramente não sei. Dos nossos novos absurdos, o melhor deles é a felicidade virtual: na internet, há uma avalanche de alto-falantes da turma do“alooou, sou feliiiiiz pra caramba!” – eu me pergunto por que felicidade virou obrigação social, ou cortina de fumaça pro exato contrário na vida real. Dou até risada de umas mulinhas que dizem ser invejadas pela sua alegria irritante e plenitude de vida, provocando uma certa platéia-alvo covardemente. É de procurar a faquinha de Pão Pullman pra cortar os pulsos, não?

Quem me dera se toda gente por aí simplesmente praticasse o bem, sorrise, mentalizasse o bom, agradecesse o que há pra agora, usasse da gentileza e desativasse a vitrine do desfile de felicidades mal-fabricadas, aquelas que vieram do Paraguai. Essa onda já passou, ficou démodé, cansou.

Tendência e moda são, acreditem, ser gente de verdade: com remelas, tropeçando, sentindo medo, preguiça, fazendo tolices, acordando com o cabelo do Rei Leão, tentando acertar, olhando nos olhos dos outros, encarando a vida de frente. Nesse quesito, a minha coleção primavera-verão 2011 já está aí, na passarela mais próxima de vocês.

Penso que o jeito é 'fazer carão' todos os dias e desfilar minha felicidade que vez ou outra apresenta alguns sintomas de mau contato, mas que é 100% real e garantida quando se revela, da maneira mais natural.

Fonte: www.mulherices.com.br

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Rick Martin - Lo mejor de mi vida eres tú

video

Vídeo muito lindo sobre a igualdade. Assistam!

Monte Roraima: A maior montanha plana do mundo

Na América do Sul, o Monte Roraima, um dos mais altos planaltos da região, tem duas características pouco comuns: além de se estender por três países (Venezuela, Brasil e Guiana), é completamente plano. Alvo de lendas e superstições, é hoje tema de documentários sobre a Natureza, explorações científicas e escaladas para os mais aventureiros.

Está entre as formações geológicas mais antigas da Terra, quando os continentes ainda nem estavam separados, há cerca de dois bilhões de anos. O Monte Roraima foi ganhando este aspecto devido à ação do vento e da chuva, que foram “moldando” as suas rochas.


Situado num terreno montanhoso rodeado por outros imponentes montes, faz parte do chamado grupo Tepuis. Este grupo caracteriza-se pela sua forma natural: praticamente plana, como se os seus montes fossem mesas. Com uma extensão de 31Km2, está distribuído entre três países: no sul da Venezuela, no extremo norte do Brasil e no oeste do Guiana.


Desde sempre o Roraima despertou interesse e curiosidade. Há várias lendas antigas e mitos desde os primeiros povos que habitavam nas redondezas. Descrito pela primeira vez apenas em 1596, por Sir Walter Raleigh, foi também fonte de inspiração ao criador do famoso detective Sherlock Holmes, para a sua obra de 1912 O mundo perdido.

Alcançar e percorrer os 90 Km do cume não é tarefa fácil. Pode levar dois dias até lá e sete dias para uma “exploração” total de toda a área. A caminhada começa do lado venezuelano. Na aldeia indígena de Paraitepuy, próxima da zona, é possível encontrar um guia para acompanhar a viagem, já que as nuvens e o tempo chuvoso podem levar alguém a perder-se no caminho. Para além da maravilhosa vista, da diversa fauna e flora que Roraima oferece, o ponto alto é a “Pedra Maverick”, que se assemelha a um modelo de automóvel dos anos 70. Os milhões de litros de água que escorrem pelo monte formam riachos e quedas de água de 979 m - entre elas, “Santo Angel”. Esta é a única maneira de chegar, sem recorrer ao uso de equipamentos de alpinismo. Do lado de Guiana e do Brasil, devido às falésias que rodeiam o monte, é impossível contorná-lo sem esta ajuda. Para protegê-lo, foi transformado em 1989 em Parque Natural.

Queda d'água Salto Angel


Em 2006, uma equipe de cientistas partiu numa exploração às recentemente descobertas grutas de Roraima. Um ano depois, retornariam com alguns apoios por parte da NASA, para uma maior investigação sobre micróbios encontrados nas paredes das grutas que poderiam trazer pistas sobre a vida noutros planetas.


Lance Hill: Uma colina artificial e autosuficiente

Um ousado projeto que visa unir design, funcionalidade e sustentabilidade sem agredir a paisagem local: especula-se até a criação de um estilo de vida dinâmico e ultra-verde!

A maior questão da arquitetura contemporânea é a incansável busca de meios para unir funcionalidade, sustentabilidade e, é claro, atração visual. Lace Hill engloba todos esses aspectos e os aplica à realidade do local.


O projeto, criado pelo escritório de arquitetura americano Forrest Fulton, idealiza ocupar uma área de 85 mil metros quadrados e apresenta uma complexa estrutura multifuncional camuflada em meio ao monte Ararat e ao panorama da icônica cidade de Yerevan, na Armênia. Situada numa planície circundada de montanhas, um dos objetivos (se não o principal) da edificação é proporcionar a contemplação da paisagem histórica sem causar grandes interferências visuais. A parte externa da colina artificial age como um conjunto de observatórios, fazendo com que esta seja uma ampliação do anfiteatro natural.


O "edifício" acopla-se ao visual da região em que está situada, mas, ao mesmo tempo em que não agride o conjunto, não chega a ser imperceptível: representa a transição ideal entre os meios rural e urbano.


Os espaços abertos no topo promovem a circulação de ar, funcionando como um grande mecanismo de refrigeração, além de permitirem a passagem de luz natural. Grande parte das atividades previstas acontece em espaços comuns de vivência, terraços e mirantes, sob exposição de luz solar. Em seu interior, escritórios, restaurantes, museus, cinema, hotel, academias e residências funcionam com iluminação natural indireta. O projeto prevê a livre circulação de pedestres e ciclistas. Já o tráfego de veículos motorizados é limitado a um estacionamento totalmente subterrâneo, com saída para uma rodovia, que liga Lace Hill às cidades adjacentes.


O paisagismo concebido, para não agredir a química do solo local, promove a abundante utilização de plantas nativas, que servem como um filtro natural de ar. O exterior, envolto por uma camada de grama, contribui para que a umidade e a temperatura do local se tornem amistosos, dado o clima semi-árido da região. Toda a vegetação é irrigada através de um intrincado sistema de reciclagem de água cinza – gerada em lavatórios, chuveiros e lavagem de roupa.


Para não causar impacto no cidadão local e promover a cultura do país, o projeto é repleto de referências ao estilo de vida da região. A vasta quantidade de orifícios nas paredes internas, por exemplo, nos remete aos detalhes do tradicional tecido armênio, fabricado artesanalmente com linhas (ou cordas) e agulhas.


Lace Hill possui uma imponência de aspecto catedrático que seduz o visitante à primeira vista. E à segunda também.